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Somos o que comemos

Existe a velha máxima de que nós somos o que comemos. De fato, tudo aquilo que colocamos para dentro do organismo irá ter grande influência no funcionamento dele como um todo. Qual será a grande diferença fisiológica entre um mesmo alimento produzido de forma agroecológica e outro de maneira convencional?
Vamos começar pela maneira como são tratados no campo. Na produção convencional, o adubo utilizado é altamente solúvel, facilitando a absorção pelas raízes. É quase como receber um alimento mastigado, tendo o trabalho apenas de engolir. Por este motivo, na agricultura convencional, tem-se um rápido desenvolvimento dos cultivos. Durante o eu desenvolvimento, qualquer praga ou patógeno que porventura ataque a lavoura, será imediatamente combatido com inseticidas, fungicidas, ou qualquer outro tipo de molécula química. Ou seja, um alimento produzido de maneira convencional é como uma criança mimada, que recebeu tudo de mão beijada e foi poupada de todas as dificuldades da vida.
Por outro lado, o mesmo alimento cultivado em sistema agroecológico, recebe adubos com menor solubilidade, ou seja, a planta precisa fazer um certo “esforço” para adquirir os seus nutrientes. Quando ocorre o ataque de insetos e patógenos, faz-se o uso de repelentes naturais, os quais ainda não impedem que a lavoura seja atacada. Desta forma, a planta deve desenvolver defesas fisiológicas contra o ataque de patógenos, e também se recuperar de ataques de insetos que consomem a sua estrutura. Desta forma, temos um indivíduo que precisou batalhar por seu alimento e se defender de forças contrárias.
Estas diferenças na fisiologia se confirmaram em um estudo realizado pela sociedade britânica de nutrição, que constatou um aumento de 20% no teor de antioxidantes de alimentos orgânicos em relação aos convencionais. A geração de antioxidantes pelos vegetais está associada aos fatores fisiológicos que foram mencionados acima. Coincidência ou não, os antioxidantes são fundamentais para o bom funcionamento do organismo, dando mais disposição no dia a dia, retardando o envelhecimento e aprimorando as defesas do organismo.
Ou seja, fica cientificamente demonstrado que realmente somos o que comemos: ao ingerir um alimento que foi tratado como “criança mimada”, teremos menos antioxidantes e consequentemente menos vitalidade e disposição para enfrentar as adversidades do dia a dia, já se ingerirmos um alimento que teve que lutar para vencer, teremos mais antioxidantes que nos darão mais força e disposição para vencer as adversidades do dia a dia.
Desta forma, os benefícios do consumo de alimentos orgânicos vão além da ausência de agrotóxicos. Aproveite o melhor que a natureza nos oferece!!

Luis Eduardo Arns Pereira

Eng. Agrônomo